3 comentários 9.11.09

Andamos todos às turras, criando sofrimento, amor, tristeza, alegria e toda uma panóplia de incompreensões.
Magoamos os Outros e somos magoados por eles. Não compreendemos o que eles pensam e eles não nos compreendem.
Zangamo-nos. Fazemos as pazes. Ouvimos. Não compreendemos. Dizemos. Não nos compreendem.
E cansamo-nos. De tentar perceber e de sermos percebidos. De tentar explicar e explicarmos. De tentar com que tudo seja harmonioso, que não façamos sofrer aqueles de quem gostamos. E gostamos mas não conseguimos evitar que eles possam sofrer e que nós os possamos fazer sofrer. E sofremos por os fazer sofrer. E sofremos porque apesar de gostarem de nós, não gostam como nos desejamos, preenchendo as nossas necessidades, fazendo-nos sofrer.
Há paciência para esta confusão toda? Para esta dor que provocamos uns aos outros?

2x
0 comentários 27.10.09

Elas perduram. Gigantescas histórias que se encontram afastadas por vários anos. Óbvias diferenças, óbvias semelhanças.
O que vos juntou? O que significam? O que significo?
A assinatura no cabelo, o olhar florido, a pele macia do futuro, com que embrulho um olhar atónito e seduzido e perplexo...A voz de veludo, que não seca a língua mas expande o coração. Os passos de pés pequenos, macios e marcantes. A vossa respiração é leve, o vosso olhar invasivo, a vossa presença é poesia. Quem sois vós?
Os olhares escondidos, os silêncios que se animam, a ternura branca do recém nascido.
O odor marcante, a roupa estendida e zangada com o vento de Norte.
O que vos une? Como vos uno na imensa diferença? O que significo?
Pelos dedos, como a água cristalina que, com pressa, se dilui pela rochas...Sem represas; sem escuridão.
Sem medo. Com medo. A repetição urge reanimação.
As letras querem fugir e deixar os sentimentos fluir.
Castelos de água, de terra, de cimento, de ar, de papel, de barro.
Destruo-os. Construo jardins. Construo-os. Destruo-os. Construo-os. As pedras.
A eternidade valerá pela sedução da memória, a vida sentir-se-à pela sua inefabilidade.

0 comentários 23.10.09


Ok, yes, I assume it. I like this 27 inches iMac! Stunning design!

1 comentários 22.10.09

Num instante toda a nossa vida caí de um sorriso imenso para uma cara com contornos melancólicos. E espanta-mo-nos. Surpreendidos, procuramos um balão de ar quente que nos leve até onde o Sol brilha. Mas percebemos que algo mudou. As nuvens são espessas e deixamos de conseguir chegar ao sorriso que nos iluminava. Paramos. Pensamos nos pontos e nos elos, tentando descoser toda a trama. Rompemos os pensamentos à procura das incongruências. Constatamos. A força do momento subjuga-se a uma incrível e decepcionante falta de controlo da nossa vida.
Num segundo, eu ligo o interruptor.
Num segundo, tu desligas o interruptor.
Num segundo, eu desligo o interruptor.
Num segundo, tu vais embora.
Num segundo, procuro-te.
Num segundo, eu ligo o interruptor.
Num segundo, percebo o vazio da sala.
Num segundo, afastas-te para um canto invisível.
Num segundo, o vazio parecem horas de um insano cantar nocturno.
Num segundo, tudo fica na saudade.
Numa vida, as horas, por vezes, são segundos.
Segundos que não se querem perder.
Horas de carinho que se viram fugir.
Dias de levitação que cessam. As rochas magoam.
Foste embora num segundo.
Fico eu nas horas infinitas, procurando-te.

0 comentários 6.10.09

Como se cria uma comunidade vibrante, que fervilhe nas nossas mãos? Como poderemos fazer aflorar o brilho nos nossos olhos quando pensamos em Ovar? Como poderemos criar uma memória colectiva que nos dê prazer, que nos faça pensar o quão bom é viver nesta comunidade?

O nosso micro cosmos dirá, provavelmente, que o primeiro parágrafo deste texto é estranho e assustador, assim como será quase inconveniente tentar responder a estas perguntas. Não estamos habituados a este tipo de raciocínios. Pela raíz.

Não estamos familiarizados com o futuro. O nosso futuro tem sido sempre um degrau do passado e não um futuro que se faz hoje, através da acção de todos.

Somos feitos de alcatrão e de betão e os nossos pensamentos parecem ser estradas mal pavimentadas e edifícios de gosto duvidoso. Temos sido os Outros. Lá longe, uns Outros que parecem estar desenhados num quadro esborratado e esburacado, inertes e imagináveis, apenas desligados do olhar que o observa.

Somos feitos de favores, olhares cúmplices, palavras não ditas que roçam significados insustentáveis. Somos rudes quando deveríamos ser compreensivos e simpáticos. Somos vários egos ao serviço de uma teia pegajosa.

Somos feitos de conflitos, sussurrados ao vento, sedentos de intrigas e maledicências. Arrepia-nos a independência e o pensamento que vai para além do horizonte. O que não controlamos amedronta-nos, pois o poder parece-nos fugir, escorregadio, por entre os dedos. E quem somos nós, imposições de poder, berros, insultos, negócios de penumbra e olhares de rapina?

O show off é o nosso lema. Mostramos, impiedosamente, a nossa previsível e insuportável forma de pintar o chão de preto e as paredes de desenhos - sublime!

Os Outros são de papel, assim como de papel é o boletim de voto. Frio, distante. Desligado do olhar do receptor do voto. Mármore que nos gela pela incerteza.

Temos sido estátuas plantadas por todo o concelho, insultados mesmo quando não nos falam. Não precisamos. Somos bons a criar histórias, a puxar o pano e a mexer as marionetas.

A nossa memória é tida como degenerativa. Esquecemo-nos facilmente, dirão alguns. Somos moles, talvez devido às mãos de barro que nos quebram.

As respostas iniciais serão mil perguntas e mil terrores que calcamos para esquecer. Varremo-las para baixo dos tapetes pretos.

A visão não é negra, apenas da cor da pedra.

Pegaremos nas cores, pintaremos respostas, e andaremos pela cidade todos pintados, com a esperança nas mãos.

Somos os Outros Significativos.

1 comentários 26.9.09

Gostaria que houvesse um concurso em que o tema fosse descobrir qual é a pessoa mais simpática que eu conheço. Aquela pessoa que está sempre disposta a ajudar, que responde prontamente, que está atenta os olhares caídos, que respeita apesar das discordâncias, que procura ajudar quando as ruínas se instalam...que se respeita imenso sem deixar de respeitar os outros..

Tenho dificuldade em assumir que muitas pessoas estão adormecidas ou são simplesmente parvas. Aliás, a parvoíce está a tornar-se um vírus terrível. A indiferença e a falta de respeito parece que vieram embrulhados e que toda a gente as quer colocar na lista de prendas...

Sinceramente...Não compreendo.

2 comentários 4.9.09

Recebido por e-mail:

As empresas hoje não querem pessoal especializado.... querem super-máquinas.


Este ano, a Offf parecia a Feira de Emprego para Designers ...
Se há quem discorde, que observem bem o anúncio de emprego que apareceu, na Segunda Feira seguinte, no Carga de Trabalhos... ao qual ALGUÉM, com iniciativa, e que a meu ver deveria ser seguida por muitos outros, respondeu da seguinte forma:


A XXXXXXXXXX está a aceitar candidaturas para estágio na área de Design

Requisitos Académicos:

Finalista ou recém-licenciada(o) em Design Competências pessoais :
* Poder de comunicação;
* Iniciativa;
* Auto-motivação;
* Orientação para resultados;
*Capacidade de planeamento e organização; * Criatividade

Competências técnicas :


Conhecimentos nos seguintes programas/linguagens ® Adobe Photoshop, ® InDesign, ® Illustrator (FreeHand e Corel Draw) Flash, ® Dreamweaver, ® Premiere, ® AfterEffects, ® SoundBooth, ® SoundForge, ® AutoCad, ® 3D StudioMax ® HTML (basic), ® ActionScript 2.0 (basic), ® CSS, ® XML.
Remuneração: Estágio Remunerado
Duração: 6 meses, com possibilidade de integração na equipa

A resposta a este pedido foi BRUTAL:

Boa noite,


Estou a entrar em contacto para responder ao anúncio colocado no site Carga de Trabalhos para a posição de estagiário em Design.
Chamo-me André, tenho 25 anos e sou um recém licenciado em Design de Equipamento (Fac. Belas Artes de Lisboa).
Sou extremamente comunicativo, transbordo iniciativa e auto-motivação, estou constantemente orientado para os objectivos como uma bússola para o Norte (magnético), sou mais planeado e organizado que o Secretário de Estado de Planeamento e Organização e sou um diamante da criatividade como já devem ter percebido e como vão poder comprovar nas próximas linhas.
Quanto aos conhecimentos técnicos:
Sou um mestre em Adobe Photoshop.
Conheço o InDesign por dentro e por fora.
O Illustrator, Freehand, Corel e o Flash são os meus brinquedos do dia a dia, faço o que quiser com eles.
Nem me ponham a falar do Dreamweaver, até de olhos fechados...
Premiere... Até sonho com ele!
AfterEffects tem um lugar especial no meu coração.
Faço umas coisas bem maradas com o SoundBooth e o SoundForge.
Com o Autocad e o 3d Studio Max até vos faço duvidar dos vossos próprios olhos.
Html, Action Script 2.0, CSS e XML são as linguagens do meu mundo.
Mas sejamos francos, qualquer estudante de 1º ano sabe de cor e salteado qualquer um destes 13 softwares e 4 linguagens de programação...
Eu sou um recém finalista. E como tal tenho muito mais para oferecer:
Tenho conhecimentos de Cinema 4D, Maya, Blender, Sketch Up e Paint ao nível de guru.
Tenho conhecimentos mega-avançados de C+, C, C++, C+ ou -, Java, JavaScript, Ruby on Rails, Ruby on Skates, MySQL, YourSQL, Everyone'sSQL, Action Script 3.0, Drama Script 3.0, Comedy Strip 3.0 e Strip Tease 2.5, Ajax, Vanish Oxi Action, Oracle, Sonasol, XHTML, Batman e VisualBasic.
Conheço o Office todo de trás pra frente assim como o Microsoft WC.
Domino o Flex ao nível do Bill Gates e mexo no Final Cut Pro melhor que o Steven Spielberg.
Tenho ainda conhecimentos de grande amplitude em 4 softwares que estão a ser desenvolvidos por grandes marcas e também de 3 outros softwares que ainda não foram inventados.
Falo 17 línguas, 5 das quais já estão mortas e 6 dialectos de povos indígenas por descobrir.
Com estes conhecimentos todos estou super interessado num estágio porque acho que ainda tenho muito para aprender e experiência para ganhar. Espero que ao fim de 6 meses tenha estofo suficiente para poder fazer parte da vossa equipa e quem sabe liderá-la.
Fico ansiosamente à espera de uma resposta vossa.
Embora tenha uma oportunidade de emprego na NASA e outra no CERN espero mesmo poder fazer parte da vossa equipa.

Cumprimentos,
André Sousa

Não é preciso comentar, pois não?